Algumas notas sobre o trabalho e o emprego

 

A Safaa Dib avança excelentes pistas sobre onde estamos e para onde queremos ir enquanto sociedade e sobre o lugar que o “trabalho” ocupa nesse futuro. Acrescentaria apenas algumas notas:
1) A busca de um trabalho remunerado e dentro do sistema não se faz exclusivamente pela necessidade do rendimento daí resultante. Na maioria dos países da Europa, o próprio acesso a outros rendimentos – e.g. fundo de desemprego, pensão – está dependente da participação no mercado de trabalho, seja como trabalhador, seja, na pior das hipóteses, como desempregado activamente à procura de (re)entrar no mercado de trabalho.
2) Para quem não tenha herdado uma fortuna nem tenha outras fontes de rendimento, um emprego, mais do que um trabalho, torna-se assim uma obrigação económica mas também moral. Actualmente, aos olhos da sociedade e até do Estado, é moralmente mais aceitável um cidadão que trabalhe, mesmo que contrariado e com condições ultra-precárias, que um cidadão desempregado por rejeitar desempenhar um trabalho perfeitamente inútil ou por rejeitar más condições. Pior ainda, mesmo que esse desemprego seja voluntário e fruto de um desejo do indivíduo em investir noutras áreas, tais como voltar a estudar ou envolver-se em algum projecto artístico, continua a ser moralmente mais aceitável o primeiro caso indicado no ponto 2) pelo simples facto de num dos casos o individuo estar dentro do mercado de trabalho (e desse modo contribuir para o “bem da sociedade”) e no outro não.Read More »

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