Trinta anos e o absurdo

“De même et pour tous les jours d’une vie sans éclat, le temps nous porte. Mais un moment vient toujours où il faut le porter. Nous vivons sur l’avenir : « demain », « plus tard », « quand tu auras une situation », « avec l’âge tu comprendras ». Ces inconséquences sont admirables, car enfin il s’agit de mourir. Un jour vient pourtant et l’homme constate ou dit qu’il a trente ans. Il affirme ainsi sa jeunesse. Mais du même coup, il se situe par rapport au temps. Il y prend sa place. Il reconnaît qu’il est à un certain moment d’une courbe qu’il confesse devoir parcourir. Il appartient au temps et, à cette horreur qui le saisit, il y reconnaît son pire ennemi. Demain, il souhaitait demain, quand tout lui-même aurait dû s’y refuser. Cette révolte de la chair, c’est l’absurde.”

 

in Le Mythe de Sisyphe, de Albert Camus

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Vizinificar: uma obrigação para as cidades abertas

O abandono dos centros das cidades por parte dos residentes permanentes é uma realidade um pouco por toda a Europa. O caso português é paradigmático, com o abandono, ao longo das últimas décadas, dos centros das cidades do Porto e Lisboa e fixação nos subúrbios das mesmas – sendo as dezenas de edifícios devolutos nos centros históricos prova deste facto. São múltiplas as causas deste fenómeno, desde a facilitação do acesso ao crédito, o que permitiu a compra (nos arredores) em vez do arrendamento (no centro), até fenómenos mais recentes relacionados com a turistificação. Este segundo aspeto tem sido um dos mais focados – não raras vezes de um modo extremado, a roçar a aversão ao turista – impedindo uma discussão mais profunda sobre como promover uma cidade aberta, em primeiro lugar, aos seus residentes e, em segundo, àqueles que nela querem entrar.

Os fenómenos de gentrificação consistem, de um modo simplificado, na valorização de uma determinada área, tendo como consequência a expulsão dos residentes com menores meios económicos. Estes fenómenos têm múltiplas faces (e fases) tendo um denominador comum: afetam sobretudo os mais desfavorecidos. Este impacto social negativo verifica-se também em casos de gentrificação menos debatidos, como os da gentrificação verde, em que até há um impacto ambiental positivo na comunidade. Ora, se é verdade que as autoridades públicas não podem deixar de investir em melhorias ao nível ambiental e que o turismo é um setor vital da economia portuguesa, é igualmente verdade que são essenciais medidas que protejam os residentes – famílias e negócios históricos – nos centros das cidades e que permitam, àqueles que o desejem, habitar a cidade. É preciso que as comunidades locais possam viver em conjunto e de modo saudável e que os lucros do turismo sejam investidos diretamente na comunidade; é preciso, em suma e permitindo-me roubar a expressão ao Barcelona en Comù, vizinificar a cidade.Read More »