2017, o ano do(s) rendimento(s) básico(s)

A discussão sobre o rendimento básico incondicional (RBI) tem estado no topo da agenda mediática portuguesa e estrangeira nas primeiras semanas do ano. As razões para tal são várias: do início de um projeto-piloto com dois mil desempregados na Finlândia, aos projetos-piloto em algumas cidades dos Países Baixos, passando pelo grande destaque que o tema teve durante as eleições primárias da esquerda francesa. Em Portugal o debate tem sido relativamente pouco mas, uma vez que o próximo congresso mundial da rede mundial do rendimento básico terá lugar este ano em Lisboa, é expectável que o tema venha a ganhar mais destaque. O ano de 2017 parece pois estar em vias de se tornar no ano do rendimento básico. Mas de qual, exatamente, é a pergunta a que deveremos saber dar resposta.Read More »

Algumas notas sobre o trabalho e o emprego

 

A Safaa Dib avança excelentes pistas sobre onde estamos e para onde queremos ir enquanto sociedade e sobre o lugar que o “trabalho” ocupa nesse futuro. Acrescentaria apenas algumas notas:
1) A busca de um trabalho remunerado e dentro do sistema não se faz exclusivamente pela necessidade do rendimento daí resultante. Na maioria dos países da Europa, o próprio acesso a outros rendimentos – e.g. fundo de desemprego, pensão – está dependente da participação no mercado de trabalho, seja como trabalhador, seja, na pior das hipóteses, como desempregado activamente à procura de (re)entrar no mercado de trabalho.
2) Para quem não tenha herdado uma fortuna nem tenha outras fontes de rendimento, um emprego, mais do que um trabalho, torna-se assim uma obrigação económica mas também moral. Actualmente, aos olhos da sociedade e até do Estado, é moralmente mais aceitável um cidadão que trabalhe, mesmo que contrariado e com condições ultra-precárias, que um cidadão desempregado por rejeitar desempenhar um trabalho perfeitamente inútil ou por rejeitar más condições. Pior ainda, mesmo que esse desemprego seja voluntário e fruto de um desejo do indivíduo em investir noutras áreas, tais como voltar a estudar ou envolver-se em algum projecto artístico, continua a ser moralmente mais aceitável o primeiro caso indicado no ponto 2) pelo simples facto de num dos casos o individuo estar dentro do mercado de trabalho (e desse modo contribuir para o “bem da sociedade”) e no outro não.Read More »

Chegada

 

O que está no centro do Universo? Ou melhor, o que é o Universo? Por que não um multiverso? Será a Terra tão especial ao ponto de ser única na imensidão cósmica? Estas questões, mais ou menos metafísicas, ocupam o espírito e a mente dos seres humanos desde os primórdios da sua evolução. Olhar para as estrelas e para o imenso negro desconhecido do Universo foi – e continua a ser – uma paixão e até uma obsessão para muitos milhões de humanos. De onde vimos, qual é o nosso lugar nesta imensidão, o que esperam de nós, quem somos. Tantas e tantas questões que nos têm atormentado enquanto espécie.

Olhemos para os números. Apenas na Via Láctea, a nossa galáxia, estima-se que possam haver até 400 mil milhões de estrelas. Quatrocentos mil milhões de sóis e cada um, provavelmente, com o seu sistema de planetas a orbitar. Isto em apenas uma galáxia. E estima-se que existam entre 100 e 200 mil milhões de galáxias no Universo, cada uma com os seus milhares de milhão de estrelas e respectivos sistemas de planetas. São números grandes, avassaladoramente grandes.Read More »

Book review: Four Futures

Following an exercise that has been performed by other authors, Peter Frase tries to unveil what life after capitalism might look like; and the end of capitalism is, for the author, not only inevitable but already taking place. The added-value of his work is, he claims, the fact that unlike other essays, “Four Futures” introduces politics and class struggle in the debate, proposing further solutions to reduce inequalities, rather than entrepreneurship and education alone. The book is openly political and engaged, giving a Left-wing perspective and, at the same time, posing several question to that same political field, namely regarding the role of basic income. Although referring straightforward that the book is not an exercise of future-telling – which would be doomed to fail, as he admits – Frase, one of the Editors of Jacobin magazine, drafts four hypothetical scenarios, some utopian, others dystopian.

On a pleasant and swift style, the book recurs to several academic papers as well as several works of fact-based science-fiction. Thus, Frase peculiarly calls his book a type of “social science fiction”. The departure point is clear, as XXI century haunts us with two main challenges, linked to crisis: automation and ecological catastrophe. But there’s an antagonism on both crises, as the ecological one is a crisis of scarcity – in the sense that the natural resources of planet Earth are finite – and the automation crisis is one of excess – the more automation develops, the less human labour will be required. This contradictory dual crisis is already visible today and expected to be deepened in the near future. A common element is, nevertheless, present: both are crisis of inequality, about scarcity and abundance, about who will profit from automation and who will suffer from climate change.Read More »